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Tradição italiana
Sexta-feira, 26 de Maio de 2023 Enviar por e-mail Versão para Impressão acessos
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#MuroNaPraia – Com perplexidade, vi a manchete: “Homens e mulheres separados. Por que praia italiana mantém muro na areia?” De pronto, me questionei se seria possível a intolerância, o preconceito e o conservadorismo em relação a gêneros estarem tão fortes em pleno século 21, embora a Itália seja a sede do Vaticano. Com o avançar da leitura, entendi a história e achei interessante dividi-la com vocês.

O fato ocorre na cidade de Trieste, região nordeste da Itália. A praia chama-se La Lanterna em alusão ao farol (erguido em 1832 e atualmente extinto) e separa homens e mulheres nas areias por um muro que se dirige mar adentro. Começou a receber banhistas no início do século 19, quando ainda pertencia à Áustria, ocasião em que o então Imperador Francisco I iniciou a construção de estruturas de suporte aos balneários. Com o domínio italiano, entre 1890 e 1903, foram inauguradas casas de banho com chuveiros para os turistas.

A primitiva cerca deu lugar, nos anos de 1930, ao muro de alvenaria e, em meados de 1938, começou a cobrança de entrada para fazer frente aos custos de manutenção de chuveiros, banheiros e limpeza em geral. Durante a 2ª Guerra Mundial, cobrava-se preços baixíssimos em prol de famílias humildes. Os valores permanecem simbólicos.

Em 1959, o muro foi demolido por um breve período. Porém, rapidamente reerguido, com mais de 3 metros de altura. A parte feminina é mais lotada, visto que pode receber crianças masculinas de até 12 anos junto com as mães.
Autoridades sugeriram a derrubada do muro, mas não houve sucesso porque a divisão tem apoio popular. O muro da praia de La Lanterna segue firme, com restauração total de suas casas de banho, em 2009, sem perder o estilo do século passado.

Conforme a imprensa, o motivo do apoio integral ao muro nada tem a ver com discriminação, intolerância, conservadorismo ou machismo. A divisão é vista como instrumento de liberdade para topless na areia ou diversão com amigos, sem o receio da observação pelo sexo oposto. Em 2016, a praia foi tema do documentário grego “A Última Praia”, exibido no Festival de Cinema de Cannes, retratando as relações e comportamentos dos frequentadores.

Pular o muro só é permitido em casos especiais, como enfermeiras acompanhando pacientes idosos ou médicos que adentram o lado feminino para prestar socorro. Tamanho é o movimento que, além das estruturas tradicionais, durante a alta temporada, a praia tem barreiras flutuantes e painéis antipoluição para segurança e manutenção da qualidade da água. Em 2023, a praia está à disposição todos os dias da semana, das 9 às 17 horas, com preço do ingresso a 1 euro ou pouco mais de R$ 5. #TradiçãoItaliana

(Imagem: picture alliance/picture alliance via Getty Image)

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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